Autismo na Escola


Como ensinar uma pessoa com TEA?

O autista é conhecido por sua singularidade devido ao distúrbio neurológico que se apresenta de diversas formas e graus em cada indivíduo. Apesar de suas semelhanças em determinados aspectos, não há um rótulo que os definam de forma concreta e unitária em sua forma de ser. Portanto não existe uma “receita” para ensinar alunos com TEA, dessa forma ainda que obtenham o mesmo diagnostico, eles podem reagir de formas diferentes a mesma proposta pedagógica, mas algumas técnicas (baseadas exatamente em alguns sintomas do transtorno) são fundamentais para ajudar crianças autistas a superar os obstáculos e conquistar seus objetivos educacionais.

Para ensinar, o professor (a) não precisa ser um especialista no assunto e muito menos se prender a uma única visão metodológica. O que quero dizer com isso? Um bom navegador, busca ir além de suas rotas, se aventura a conhecer novos horizontes, tanto viaja com a sua bagagem de conhecimento quanto vive a experiência de adquirir mais ao aventurar-se. Descobre a força da maré, os sons da natureza, as mensagens das estrelas, novas ilhas, novas texturas, animais, etc.... Assim somos nós, educadores, temos a metodologia, o plano de aula, mas para ensinarmos devemos ir além do roteiro planejado, além do que já sabemos e do que já vimos, precisamos navegar em busca de conhecer mais do que ilhas desconhecidas, mas mentes, mundos incompreendidos, investigando cada aluno de forma individual.



O mito da inclusão

A insegurança se esconde na argumentação, mostrando sua fragilidade ao soltar palavras como “despreparo”, “incapacitação”, “inexperiência”, por ter a ideia de que deve-se ter um conhecimento bastante aprimorado para depois receber os alunos. Isso revela uma expectativa ilusória um saber pronto capaz de prescrever como trabalhar com cada educando, já que o processo histórico-cultural é realizado a partir de interações sociais realizadas entre o homem e o meio. Ressaltando que o preparo do professor no contexto da educação inclusiva é o resultado da vivência e da interação cotidiana com cada um dos educandos, com e sem deficiência, a partir de uma prática pedagógica dinâmica que reconhece e valoriza as diferenças.



Então, como incluir?

Não há especialização, metodologia, estudos, capazes de antever o que somente no cotidiano poderá ser revelado, porém é de suma importância obtermos conhecimento prévio, pois são excelentes auxiliares para compreensão de algumas ações e resultados, assim como também nos auxilia na elaboração e aplicação do conteúdo.

Dessa forma, é esperado que aja um equilíbrio, uma interligação entre metodologia e percepção, desenvolvendo um processo continuo e dinâmico na Educação promovendo a participação de todos os envolvidos, inclusive do próprio educando que deve ter sua presença garantida na escola. Para que a equipe pedagógica possa conhecê-lo bem e assim buscar identificar meios de garantir sua inclusão efetiva, através métodos variantes a sua condição, abrangendo o campo educacional a flexibilizar-se ao aluno oferecendo um Atendimento Educacional Especializado.

Atenção aos demais alunos

O professor não é o único que precisa interagir com o portador do TEA, por isso o mesmo deve manter um trabalho árduo na conscientização dos demais alunos, para que a classe consiga acolher o coleguinha de forma natural, que será alcançada de forma lúdica, introduzindo quadrinhos que falem sobre o espectro, vídeos curtos, atividades dinâmicas, etc. Sempre ressalte a turma que algumas atitudes diferentes tomadas pelo autista não é para que achem graça, dizer que devem respeitá-lo e não interrompê-lo, pois trata-se de algo essencial para concentração dele. Em casos de Bullying faça imediatamente a intervenção necessária.



Estratégias para a prática pedagógica

As adaptações curriculares devem ser feitas de modo individual, e o professor deve estar atento a meios eficazes que de fato tornarão o currículo escolar coerente com a necessidade do educando.

O autista não possui uma inteligência limitada, muito pelo contrário ele possui uma inteligência concentrada. É uma pessoa extremamente focada, o que o torna o melhor naquilo que gosta e disperso às demais coisas que não lhe chamam muita atenção.

Todos já ouviram que “família e escola trabalham juntas” e os profissionais da educação sabem mais do que ninguém a importância desse vinculo para o desenvolvimento do aluno, principalmente quando trata-se de uma criança especial.

Dessa forma a primeira estratégia a ser executada é o pedido a família de um relatório dos interesses, preferências, coisas que causam desagrado a criança e as avaliações feitas pelos profissionais como fonoaudióloga, psicóloga, terapeuta ocupacional, neuro, etc. Através desses relatórios será mais fácil de manusear as demais estratégias, pois passará a utilizar preferências e materiais de agrado para o aluno na aula e no pátio para estabelecer um vínculo com a escola e as pessoas do ambiente escolar.

As atividades devem ser trabalhadas por períodos curtos mediante seu grau de complexidade, incorporando gradativamente mais materiais, pessoas ou objetivos, obtendo um intervalo significativo entre uma atividade e outra, para que não se torne desgastante. Faça o uso de poucas palavras, escolhendo as mais objetivas (geralmente não processam muita linguagem de uma vez) auxiliadas de gestos simples e imagens que apoiam o que é falado para garantir eficácia na compreensão.

No fazer pedagógico é fundamental uma rotina estruturada, para que o autista se adapte ao novo ambiente. A novidade pode gerar um desconforto a ele e até colocá-lo em uma situação de estresse, ou seja, saber antecipadamente as atividades que serão realizadas dentro da sala de aula tanto auxilia o professor no desenvolvimento das atividades quanto oferece uma sensação de conforto ao aluno. O educando com TEA, costuma ser mais visual que verbal, por isso o Atendimento Especializado sugere o uso Prancha de Comunicação Alternativa.


ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO

Observem que ela possibilita a visualização da rotina de forma muito clara, possibilitando também uma noção de tempo. Permite visualizar em que momento vai ser realizada determinada atividade, quais já foram e quais ainda realizará ao longo da semana. Nem precisa dizer que é imprescindível o uso da Prancha, correto?

O estimulo da realização das atividades de acordo com a rotina estipulada devem ser perpétuo, no começo, meio e fim, mas como tudo na vida tem um “porém” devemos lembrar de não chegarmos a extremos pelo desejo de ensinar. Tendo em mente uma linha imaginária, como a Linha do Equador, que divide o ato de ensinar em dois hemisférios: o empenho do professor (a) em ensinar/estimular e a necessidade que o autista obtém em estar um momento sozinho, de caminhar, dar saltos, ou simplesmente perambular para se tranquilizar.

Ao final do dia pergunte como se sente, o que gostou, o que desagradou, de forma que o currículo escolar e o planejamento da rotinha mantenha-se flexível. Caso haja alteração, a mesma deve ser introduzida aos poucos no cotidiano, para que não cause ansiedade.

Para finalizar, temos orientações para “casos isolados”, “situações momentâneas”.

Quando houver uma crise, a primeira coisa a fazer é manter a calma não se apavore, tente oferecer outros objetos e, no caso de não conseguir acalmá-lo, explique à turma o que está acontecendo, desenvolva atividade com o grupo em outro lugar para dar possibilidade da criança com TEA de se acalmar.


- Letícia Butterfield

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