PCC - História da Educação
Proposta curricular complementar da disciplina de História da Educação - Universidade Estácio de Sá
INTRODUÇÃO
A educação possui um papel fundamental na formação do
indivíduo como ser crítico e consciente, pois atua como estimuladora do
desenvolvimento cognitivo e socioeconômico. Para compreender melhor a atuação
do ensino e colocá-lo em prática de forma eficaz devemos ir ao passado através
de estudos, análises, conhecer teorias, métodos, e muitas outras coisas que a
disciplina História da Educação nos proporciona, para aprimorar o aprendizado
no presente e planejar o futuro de forma transformadora.
A
História da Educação faz parte de um cenário cultural, ou seja, com presença
forte em todos os períodos e continentes do mundo. Sendo assim, em cada espaço
histórico ou período a educação teve como principal objetivo atender a metas
específicas, que correspondiam principalmente às visões e crenças do povo
daquela época. Por isso, a melhor forma de garantir o entendimento pleno da
história da educação é situando a mesma na história geral e em âmbito
atual.
O processo de educação do homem foi fundamental para o
desenvolvimento dos grupos sociais e de suas respectivas sociedades, razão
pela qual o conhecimento de sua história e experiências passadas é essencial
para a compreensão dos rumos tomados pela educação no presente.
DESENVOLVIMENTO
Pensar o passado não deve ser compreendido como exercício de saudosismo, mera curiosidade ou preocupação erudita. O passado não é algo morto: nele estão as raízes do presente.
O primeiro passo para compreendermos os diferentes tipos de conhecimento produzidos historicamente pela humanidade, será necessário partirmos de uma compreensão da relação do homem com a natureza. Segundo o materialismo histórico e materialismo dialético de Karl Marx, a relação homem-natureza é mediada pelo trabalho, como ato intencional do homem em produzir as condições materiais e não-materiais (a cultura, o saber, o conhecimento) da sua existência, dessa forma o indivíduo sente a necessidade de transmitir para as futuras gerações suas experiências e conhecimentos e, o fará através da educação. O filósofo Jean Jacques Rousseau também enfatizou a educação como condição da natureza, deixando como herança a ideia de que, para criar um novo homem e uma nova sociedade, era preciso educar a criança de acordo com seu meio natural, neste modelo, e não institucionalizada.
Para Rousseau, o princípio fundamental da boa educação é fomentar na criança o prazer de amar as ciências e seus métodos. E aos mestres cabiam incitar esses sentimentos. Rousseau pensava a educação guiada não pelo divino e nem pelo destino e sim pela razão. Ele propunha uma educação que tomasse conhecimento do homem como essência e ao mesmo tempo ética, ou seja, um homem ideal para a sociedade que deveria integrar-se.
Mas nem todos pensavam dessa forma, como veremos adiante.
A respeito da educação podemos observar diferentes momentos que são de
fundamental importância para a história de nossa humanidade: Período Antigo,
subdividido em Primitivo, Antigo e Medieval, Moderno, destacando-se o
Renascimento. Como algo inerentemente humano, a educação se transforma e o
processo educacional segue as normas e os padrões de cada período histórico,
respondendo às necessidades de cada sociedade.
Para fins de contextualizar essa escrita, dividimos as transformações
sofridas pela Educação nos seguintes estágios:
Período
primitivo
O período primitivo corresponde à pré-história. Anterior à
escrita, a educação primitiva era assistemática, difusa e de
tradição oral, tendo como objetivo ajustar a criança em seu ambiente físico e
social através da aquisição das experiências. O saber, neste período, é
disponível a qualquer pessoa, não existe divisão social. Os chefes de família
são os professores e o ensino variava de acordo com a cultura de cada tribo, sendo
transmitidos pelo testemunho, pela convivência, pelos modelos e exemplos, já
que partiam da naturalidade do cotidiano, promovendo o aprendizado de hábitos,
atitudes e habilidades necessários à sobrevivência e à convivência.
[...] cada tipo de grupo humano cria e desenvolve situações,
recursos e métodos empregados para ensinar às crianças, aos adolescentes e,
também, aos jovens, e mesmo aos adultos, o saber, a crença e os gestos que os
tornarão um dia o modelo de homem ou de mulher que o imaginário de cada
sociedade – ou mesmo de cada grupo mais específico dentro dela – idealiza, projeta
e procura realizar.
Brandão, 2007, p. 22.
Período Antigo
No período antigo, acontecem transformações fundamentais para nossa
cultura, tornando-a cada vez mais científica, mais especializada de forma
diferenciada entre si, tanto pelos objetivos, quanto pelos métodos.
Encontram-se diferentes modelos de Educação, de acordo com o período a
que corresponde e a localização geográfica; característica fundamental é o
surgimento da escrita e do Estado na antiguidade oriental, diferenciando-se
entre si.
Egito - Importância nas
conveniências sociais, onde há regras morais e comportamentais bem rigorosas.
Os ensinamentos são de pai para filho e do mestre escriba para o discípulo,
sendo que há sempre uma continuidade da transmissão do ensino de geração em
geração. A autoridade dos adultos é inquestionável.
A educação do Egito se dá de uma forma mnemônica, repetitiva, sempre
baseada na escrita. O ensinamento é voltado para a formação do homem político,
sua educação é direcionada para o falar, depois ser obediente e enfim saber
valorizar a educação.
A obediência traz outra arte, que é o saber comandar, saber se
subordinar para não sofrer castigos.
Babilônia - Predomina o poder da classe sacerdotal, para os babilônicos, estes
possuem bibliotecas, noções de astrologia, procuram a aplicação prática do
conhecimento. Para este povo, a ciência mistura-se à magia.
Índia- É uma civilização marcada pela divisão social em castas, onde todos
derivam do corpo do Deus Brahma, a Educação acontece de forma discriminatória,
privilegiando os brames; aos sudras e párias é negada qualquer forma de
Educação; sofre também influência do budismo.
China- A Educação é conservadora mantendo-se até recentemente voltada à
transmissão, apoiada nos livros interpretativos de Lao Tsé e Confúcio que datam
do terceiro milênio a.C.
Hebreus- Sua educação é marcada pela religiosidade, professada pelos profetas,
acontece nas sinagogas, nela se aprendem as verdades da Bíblia, especificamente
do Antigo testamento. São politeístas, valorizam a educação manual.
As propostas pedagógicas Orientais da antiguidade baseiam-se nos livros
sagrados, possuem o objetivo da educação moral de acordo com a vida religiosa,
impostos por cada civilização.
Grécia clássica - Uso da razão, da inteligência crítica promoveu o
desenvolvimento individual, o qual era capaz de criar leis humanas que estariam
ligadas ao destino dos cidadãos homens livres. A educação grega centrava-se na
formação integral, corpo e espírito, que deslocava sua ênfase conforme a
política da época ou local. Inicialmente a educação era ministrada pela
família. Com a criação das polis, começaram a serem criadas as primeiras
escolas.
A educação espartana - No século IX a.C. o legislador Licurgo organizou o Estado e a educação de Esparta, que valorizava as atividades militares desenvolvendo em sua região uma educação severa e controlada pelo Estado. O objetivo desta educação era proporcionar ao espartano a perfeição física, coragem e o hábito de obediência para que se transformasse em bom soldado, já que a política da eugenia buscava o melhoramento da espécie, e recomendava abandonar aqueles que nascessem com deficiência. Baseados nessa ideia buscavam fortalecer as mulheres para que gerassem filhos sadios. Devido à educação rigorosa Esparta não obteve em sua sociedade um esplendor artístico e filosófico. Não eram apreciadores de debates ou discursos, pois eram lacônicos, falavam pouco.
Os meninos até aos 07 anos, viviam com a família, e após
esta idade ficavam a cargo do Estado que lhes fornecia educação pública
obrigatória. Viviam em casernas, trabalhavam para seu sustento e dedicavam-se
ao estudo da música, canto, dança coletiva e ginástica. Até aos 12 anos participavam
de atividades lúdicas, e preparavam-se para sobreviver suportando desconforto e
castigos. Dos 18 aos 20 anos estudavam sobre manobras militares e como manejar
armas. Dos 20 aos 30 treinavam as lutas para a guerra. Aos 30 anos tornavam se
maiores e continuavam a se dedicar totalmente ao Estado.
Educação ateniense - Atenas, outra polis grega, estruturou a finalidade do Estado na ideia de assegurar ao cidadão, a liberdade pessoal para assegurar condições vantajosas em relação a sua educação. O ensino era supervisionado pelo Estado, porém não era obrigatório e nem gratuito. Os pais cuidavam de orientar e preparar seus filhos para a vida em um ambiente de liberdade. A educação começava aos sete anos e os meninos passavam a ser educados pelos pedagogos, que eram escravos ou servos cultos. Eles dirigiam se à palestra, onde praticavam atividades físicas. Os meninos frequentavam dois tipos de escolas: a de música e a de ginástica ou palestra.
O ensino elementar de leitura e escrita era ministrado
pelo mestre, que era uma pessoa humilde e mal paga. Ele ensinava as crianças a
escreverem e fazerem cálculos, com o auxílio do ábaco. Essa educação completava
se aproximadamente aos 13 anos. Aqueles desfavorecidos economicamente
buscavam aprender um ofício para poderem trabalhar. Os que pertenciam a
famílias abastadas continuavam seus estudos no ginásio. Dos 16 aos 18 anos,
dedicavam se a preparação militar, a efébia. Após o serviço militar não ser
mais obrigatório a efébia passou a ser a escola de filosofia e literatura.
Com os sofistas teve início o ensino considerado superior
na Grécia antiga. Eles eram professores que percorriam as cidades ensinando as
ciências e artes, de maneira sistemática e prática, principalmente a
eloquência, em troca de pagamentos por seus trabalhos intelectuais.
Educação romana - A educação de Roma baseava se numa mentalidade prática, a reflexão filosófica não mereceu atenção de maneira sistemática. Eles adotaram uma postura pragmática, voltada para o dia a dia, para a ação política e não para a contemplação filosófica.
O desenvolvimento da educação romana acompanhou o
crescimento sociopolítico, que foi dividido em três períodos Realeza, República
e Império. Inicialmente, por ser uma sociedade rural e militar, a instrução
latina ficava centralizada na família, onde o pai era o responsável por
transmitir os valores morais, políticos e econômicos. Essa aprendizagem era
baseada no cotidiano, através da imitação, que era reforçada por exemplos
vivenciados pelos antepassados da família e da comunidade.
Educação cosmopolita - No período republicano, devido à expansão socioeconômica e territorial, a emergente sociedade romana, adotou outra maneira de educar. Foram criadas as escolas conhecidas como Ludi, onde os mestres ensinavam leitura e cálculo. Mediante o contato com os povos helênicos, a educação foi influenciada por outros elementos culturais, pois os professores gregos ensinavam seu idioma, nas escolas dos gramáticos, dando início a formação bilíngue dos romanos.
Educação
enciclopédica - baseada na tradição
helenística, deu origem às escolas superiores, frequentada pela elite que se
preparava para a vida pública, excluindo a massa populacional.
Educação medieval - Já a educação medieval foi a base para o aprendizado na época em que o cristianismo dominava em todo o continente europeu, ou seja, entre os séculos V e XV depois de Cristo. Nesse período a educação foi essencialmente dogmática, religiosa e com ensinamentos predominantemente literários, abstratos e com grandes prejuízos para o ensino científico e/ou intelectual.
Educação humanista - A educação humanista foi implantada especialmente após o período da Renascença, a partir do século XV. Mesmo com autoridade e disciplina como características exigidas, os pensamentos críticos e livres finalmente se tornaram possíveis. As disciplinas de caráter científico também retornaram. As atividades físicas também passaram a ser incorporadas no ensino.
Modelos de educação mais modernos
A partir do século XVI a história da educação se remodelou para oferecer estruturas mais recentes e modernas, bem similares com o que temos atualmente.
Educação realista - A educação realista foi baseada principalmente nas ciências e na filosofia. Os autores mais estudados nessa fase foram: Copérnico, Galileu, Descartes e Newton. Com as “ciências novas”, esse modelo de educação foi o primeiro a iniciar métodos para ensinamento de uma forma mais realista e moderna.
Educação naturalista - A educação naturalista teve como base o filósofo Jean Jacques Rousseau. A sua influência foi altíssima para que possamos conhecer os moldes de educação aplicados atualmente. Para o naturalista e filósofo, a educação depende de algumas características, como por exemplo: a experimentação, a liberdade, a diferença entre a mente do indivíduo adulto e da criança e outros. Dessa forma, na educação naturalista a base para o aprendizado depende da compreensão dos aspectos tanto físicos, morais como também intelectuais. Uma das únicas e mais agravantes diferenças entre o modelo criado por Rousseau e o que temos atualmente é o fato de que ele defendia que as crianças deveriam ter apenas um único educador durante a sua trajetória de aprendizado.
Educação nacional - Durante a Revolução Francesa, realizada no século XVIII, a educação nacional foi criada e se instaurou como um modelo utilizado até os dias atuais.
A educação nacional orienta que o Estado seja o responsável pela escola primária universal, obrigatória e com possibilidades gratuitas, uma vez que a educação é um direito de todos – previsto na própria Declaração Universal dos Direitos Humanos. Sendo assim, atualmente esse termo também pode ser diretamente relacionado com a educação de caráter democrática.
CONCLUSÃO
Conclui-se que essa atividade humana à qual denominamos de educação é um processo amplo e se desenvolve nas relações, tais quais nascem no ambiente familiar e se ramifica por todos os ambientes em que a pessoa mantém contato ou estabelece relações. Isso implica dizer que uma primeira característica do processo educacional é o fato de se desenvolver a partir de um cada vez mais amplo processo de relações. Ninguém se educa sozinho, mas nas relações. E relação é processo que se amplia, constantemente.
Ter acesso a história da educação é obter a fundamentação teórica e crítica do conhecimento e da prática educativa, podemos afirmar que sua preocupação está em compreender, de forma crítica, a natureza e a especificidade de educar. Assim, teremos como estabelecer o que é, como é e para que é: ensinar, aprender, alfabetizar, avaliar e etc., ou seja, teremos como determinar quais os princípios que alicerçam determinadas práticas educativas. Portanto, devemos avaliar os currículos, as técnicas e os métodos de ensino-aprendizagem, para que seja possível julgar se são ou não adequados aos fins a que se propõem, criando e recreando em nossa prática diária de forma flexível, adaptável.
Segundo o educador brasileiro, José Carlos Libâneo, “educar (em latim, educare) é conduzir de um estado a outro, é modificar numa certa direção o que é suscetível de educação. O ato pedagógico pode, então, ser definido como uma atividade sistemática de interação entre seres sociais, tanto no nível intrapessoal como no nível da influência do meio, interação essa que se configura numa ação exercida sobre sujeitos ou grupos de sujeitos visando provocar mudanças tão eficazes que os tornem elementos ativos desta própria ação exercida”.
Sendo assim, não podemos compreender a educação como mera transmissão dos conhecimentos historicamente produzidos e acumulados pela humanidade, mas como um instrumento crítico da produção humana, ou seja, deve possibilitar a reflexão crítica da cultura. Dessa forma podemos dizer que a Pedagogia é a ciência que tem por finalidade a reflexão, a ordenação, sistematização e a crítica do processo educativo na sua forma e no seu conteúdo.
REFERENCIAS
Conteúdo das aulas 1 a 10 da disciplina da História da Educação
Conteúdo das aula 1 de Filosofia da Educação Brasileira
https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/filosofia/historia-historia-educacao.htm
https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/educacao/as-contribuicoes-de-jean-jacques-rousseau-para-a-humanidade/14015
http://www.gestaouniversitaria.com.br/artigos/breve-historia-da-educacao
https://pedagogiaconcursos.com/educacao-na-antiguidade-esparta/
Trabalho de Letícia Butterfield
Data: 19/11/2019
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